O Nosso Bom Samba IV

O Nosso Bom Samba IV

Se alguém pretende levar alguns discos instrumentais, representativos da mais legítima batucada brasileira, terá algumas dificuldades para encontrar, com facilidade, boas gerações. Isto porque poucas vezes as nossas gravadoras se preocuparam em produzir álbuns instrumentais, com o ritmo brasileiro, unicamente na percussão, ideal para ser levado a amigos do Exterior, em especial de países onde a nossa música não é conhecida - e nos quais os temas vocacionais teriam naturais dificuldades de serem entendidas/aceitas. Há cerca de 12 anos, a Philips lançou uma série chamada "Batucada", enquanto Nilo Sérgio, da brava - e hoje extinta Musidisc - também colocava nas lojas a "Batucada Fantástica", ainda hoje reeditados pela RCA-Victor (que adquiriu o acervo de Nilo Sérgio), por ter, permanentemente, um público seguro - turistas que passam pelo Brasil ou brasileiros que vão ao Exterior e querem levar nosso ritmo.

Produtor inteligente, José Rozemblit Sobrinho, ao fundar a Top Tap, há 5 anos, lembrou-se desta quase abandonada faixa do mercado e assim convocou a Bateria da Escola da Samba Padre Miguel - indiscutivelmente a melhor do Brasil, para gravar uma série de LPs exclusivamente instrumentais, que tiveram excelente aceitação. O sucesso animou a Top Tape a lançar também outra série, "A Fantástica Bateria/The Most Fantastic Brazilian Beating Groups", e as coleções têm [seqüência] com dois novos lançamentos - cujo divulgação no mercado nacional acontece quase automaticamente. Com a bateria da E. S. Padre Miguel, temos o volume 4 da série "Bateria Nota 10" (TT 061; OUTUBRO/74), enquanto sai o volume 2 de "A Fantástica Bateria" (TT 062, outubro/74), ambas creditadas a um misterioso Zé do Chaveiro.

São dois LPs made for exportation, em que os percussionistas mostras todas as potencialidades dos primitivos instrumentos utilizados por nossos sambistas - e infelizmente a inexistência de um texto em inglês e português na contracapa de cada um dos LPs, limita a compreensão por parte dos estrangeiros da importância de cada faixa. Embora as faixas dos 2 LPs sejam creditadas a Zé do Chaveiro, tratam-se de criações espontâneas, brasileiríssimas, com um crescendo natural - para entusiasmar ouvidos alienígenas, não habituados ao tropical ritmo. Assim no "Bateria Nota 10 - Volume 4", temos as designações "Sarro no Cafôfo", "Ouriçando a Moçada", "Só no Apito", "Ritmo da Pesada", "Olé de Tamborim" e "Deixa Como Está", para as diversas faixas. Já as faixas de "A Fantástica Bateria" chamam-se "Deixa Cair", "Partido Alto", "Olé de Samba", "Curtição no Morro", "A Virada da Fagulha", "Cavaco no Samba" e "Samba de Bamba", igualmente todas atribuídas ao misterioso Zé do Chaveiro - possivelmente um pseudônimo inventado para justificar o aproveitamento de ritmos de domínio público.

Com exceção da falta que faz para os estrangeiros a presença de um texto em inglês na contracapas, estes dois lançamentos da Top Tape merecem ser recomendados a quem está à procura de um bom presente para amigos do Exterior. Ou, muito especialmente, aos milhares de estrangeiros que por aqui passam o que justificaria à gravadora a criação de pontos de venda.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:

Veiculo: Estado do Paraná

Caderno ou Suplemento: Nenhum

Coluna ou Seção: Jornal do Espetáculo

Página: 10

Data: 27/11/1974

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1 comentários :

Anônimo disse...

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